::.. Redução de acidentes de trabalho pode ampliar ganho ..::

     O número de acidentes de trabalho tem reflexo direto no caixa das empresas. Este item pode determinar uma diminuição no valor de seguros de obras, além de influenciar a liberação ou não de alguns tipos de empréstimo, como os concedidos pelo Banco Mundial, explica Alberto Pereira, diretor presidente da APS Associados, líder nacional na gestão de segurança do trabalho, saúde e meio ambiente.
     Em agosto a Alumar, Klabin, MBP/CVRD, Samarco, Suzano Papel e Celulose e Votorantim Papel e Celulose bateram recorde de 35 milhões de horas/homens trabalhadas sem registro de acidentes, em nove obras espalhadas pelo Brasil sob a gestão da APS. "Para se ter uma idéia, a obra da Alumar em São Luiz , terminou um mês antes do previsto", conta Pereira sobre as conseqüências diretas de investimentos em segurança. "É como se existisse uma empresa com 150 mil trabalhadores operando, durante um mês, sem nenhuma ocorrência de acidentes do trabalho", diz.
     Até 1995, construção civil ocupava o primeiro lugar em um ranking negativo: era o campeão em acidentes no trabalho que resultavam em morte. A média anual no Brasil em todos os setores era de sete mil, e dois mil estavam nos canteiros de obras. De lá para cá os índices foram melhorando e, em 2006, levantamento do Ministério do Trabalho, registrou que de 2.800 mortes no ambiente de trabalho, 305 se concentraram na construção civil, o que levou o setor ao segundo lugar no ranking. Em São Paulo, em 1995, foram 138 mortes, em 2006, 9 (em 2007 já são 23). O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP), Antonio de Sousa Ramalho, conta que pela convenção da categoria, a indenização é de R$ 25 mil, mas um caso desse tipo pode chegar até R$ 2 milhões em indenização. "Tanto assim que estudos de técnicos e engenheiros mostram que aplicar recurso em segurança de trabalho não é despesa, é investimento", disse.
     Entre os benefícios para as empresas, por exemplo, está o decreto do presidente Lula determinando que as empresas paguem entre 1% e 3% do valor da folha de pagamento, de acordo com a quantidade de acidentes registrados ao Seguro Acidente de Trabalho. Pagam 1% aquelas com menos acidentes de trabalho e 3% as empresas com maior incidência.
     De acordo com o decreto, as empresas que investirem na prevenção de acidentes, em segurança e saúde do trabalhador, poderão ter desconto de até 50% no valor de sua alíquota.
     Aquelas que não investirem poderão ter que pagar até o dobro do valor máximo (6%) ao seguro.

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