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Produtividade cai e Brasil fica mais longe de desenvolvidos..::
A produtividade por empregado
no Brasil caiu abaixo do nível verificado em 1980,
na contramão da tendência global. A capacidade
de produção do trabalhador brasileiro é
três vezes menor do a que a de trabalhadores de
economias industrializadas e está ameaçada
pela China e outros concorrentes emergentes. Os dados
são da Organização Internacional
do Trabalho (OIT), em relatório que mostra a crescente
diferença entre a produtividade do país
e das principais economias.
O nível de vida num país
depende também da produtividade, que mede quanto
um trabalhador produz por hora. Os lucros das empresas
crescem quando os empregados produzem mais por hora do
que antes. A renda adicional pode ser repartida entre
lucro extra e aumento salarial, alimentando gastos e investimentos,
criando mais empregos e expandindo a economia. Para a
OIT, a produtividade é mais alta quando a empresa
combina melhor capital, trabalho e tecnologia. Falta de
investimento na formação e qualificação
e em equipamentos e tecnologias provoca subutilização
do potencial da mão-de-obra.
No relatório "Principais
indicadores do mercado de trabalho" (KILM, em inglês),
a entidade mostra que a produtividade aumentou no mundo
inteiro nos últimos dez anos, mas as disparidades
persistem entre nações industrializadas
e os demais países. No caso da América Latina,
o ritmo de crescimento da produtividade foi o menor entre
1996-2006, período em que parte da Ásia
e da Europa do Leste ex-socialista começou a reduzir
seu atraso.
No Brasil, a diferença
no valor agregado por trabalhador cresceu especialmente
em comparação com os Estados Unidos, o campeão
global da produtividade, segundo a OIT. A produção
por trabalhador foi de US$ 14,7 mil em 2005, abaixo dos
US$ 15,1 mil de 1980. É várias vezes menor
que os US$ 63,8 mil por empregado nos EUA em 2006 (e era
de US$ 41,6 mil em 1980).
Na China, a produtividade dobrou
em dez anos. Pulou de US$ 6,3 mil para US$ 12,5 mil por
empregado entre 1996 e 2006, a mais forte alta no mundo.
A produtividade chinesa era oito vezes menor que a dos
industrializados, e agora passou a cinco vezes menos.
O Leste da Europa registrou alta de 50%.
A produção brasileira,
em comparação com os EUA, sofreu queda ainda
maior. O valor agregado por empregado no país era
equivalente a 36,5% do atingido pelos americanos em 1980,
e caiu para 23,5% em 2005. Na direção oposta,
a produtividade da Coréia do Sul pulou de 28% para
68% em relação à dos EUA no período.
No setor industrial, a diferença
cresce. A produção por empregado industrial
no Brasil representava 19% daquela dos EUA em 1980. Agora,
declinou para 5% em 2005. O valor agregado na indústria
brasileira foi de US$ 7.142 para US$ 5.966 por empregado
entre 1980 e 2005. Já a China aumentou o valor
agregado industrial em 7,9%. Com isso, reduziu a diferença
com os EUA, e a produtividade passou a ser o equivalente
a 12% da americana, e não mais 5%.
A
produtividade brasileira só cresceu no setor agrícola,
florestas e pesqueiro, ficando em média em 3,6%,
mas esse ritmo foi inferior ao da China e de alguns países
que subsidiam altamente suas agriculturas, como Noruega
e Coréia. Com a alta de 3,6% ao ano, o valor por
trabalhador brasileiro no setor aumentou de US$ 2.356,
em 1980, para US$ 5.700 em 2005. Em contrapartida, os
chineses, ao iniciarem a reforma agrícola, com
menor coletivização das terras, registraram
alta de 4% por ano de produtividade agrícola, triplicando
de US$ 330 para US$ 910 por pessoa entre 1980 e 2006.
No comércio, onde é maior o uso de tecnologia
da informação e de novos modelos de negócios,
a produtividade brasileira por trabalhador declinou no
período de US$ 3,945 para US$ 4 1.726.
A carga de trabalho dos americanos
foi calculada em 1.804 horas em 2006, bem acima da média
dos países desenvolvidos, como França (1.540
horas, ou 300 a menos com a carga de 35 horas semanais),
Alemanha (1.436 horas) e Japão (1.784 horas). Em
boa parte dos emergentes, a carga de trabalho fica bem
acima de 1.800 horas. O dado sobre o Brasil é ainda
de 1999, quando era estimada em pouco mais de 1.600 horas
por ano.
Quando a OIT mede o valor por
hora trabalhada, o Brasil também está lá
embaixo. A produtividade por hora trabalhada fica em torno
de US$ 7,50, valor quase idêntico ao de 1980. Não
há dados sobre a China, mas aí é
a Noruega, e não os EUA, que tem a mais alta produtividade,
de US$ 38 por hora, seguido pelos americanos, com US$
35,60. A França é o terceiro país
com maior nível de valor agregado por hora, de
US$ 35.
Para o diretor-executivo do setor de emprego da OIT, José
Maria Salazar, dentro de três anos a China pode
superar a produtividade da América Latina, que
no momento é um terço maior (US$ 18,9 mil)
que a chinesa. Mas o assessor nota que no Brasil e no
resto da América Latina, em cada dez empregos,
sete são criados no setor informal, sem proteção
social e com pouca qualificação.
Para reforçar a tendência
do perigo chinês, o relatório mostra que
só na América Latina subiu a "'vulnerabilidade
do emprego"', com menor redução no
número de pobres. Já a China é tomada
como exemplo de país com amplo aumento de produtividade,
que consegue baixar o número de pessoas vivendo
com menos de US$ 2 por dia.
"O incremento de produtividade
é enorme na agricultura da China, com grande transformação
ao deixar a agricultura coletivizada, mas o maior incremento
é na manufatura, graças à taxa de
investimento anual muito alta, de cerca de 30%",
afirma. "Há muita inovação tecnológica,
investimentos fortíssimos na educação
e uma reserva de mão-de-obra barata."
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