::.. Jornal comunitário na periferia de Bauru ..::

(21/05/2009) - Patricia Bellini

     O Ferradura Mirim é um bairro conhecido pelos habitantes de Bauru pelas más condições em que vivem seus moradores. Considerada a maior favela da cidade, a área abriga cerca de 5 mil habitantes em terrenos que ainda não foram legalizados, associados ao tráfico de drogas e corrupção. As famílias moradoras dessa região muitas vezes se sentem revoltadas com a marginalização no mercado de trabalho e acuadas diante da sociedade.

     Em frente a esse problema, alunos de jornalismo da Unesp criaram um jornal comunitário com a intenção de dar voz aos moradores do bairro: o Jornal do Ferradura. A publicação do impresso é bimestral e o seu conteúdo é decidido, conforme espera-se do jornalismo comunitário, pelos habitantes do bairro. Os participantes do projeto contam que os moradores são avisados com antecedência sobre a reunião de pauta, que acontece sempre entre eles e os repórteres, em um dia de sábado, na comunidade.

     A iniciativa do projeto Jornal do Ferradura, coordenado pelo professor da Unesp, Dr. Ângelo Sottovia Aranha, é disponibilizar um meio que contraponha à mídia tradicional e dê espaço para os acontecimentos dessa área carente de Bauru. A repórter do jornal, Carolina Bataier, diz que “geralmente as matérias sugeridas são sobre as necessidades da comunidade que são esquecidas, como o asfalto, segurança, e também os acontecimentos significativos para eles, como as festas do bairro”.

     O Jornal do Ferradura é entregue pelos próprios repórteres nas casas dos moradores da região. No início, as publicações eram financiadas por empresas, que negociavam o patrocínio com os estudantes do projeto. Hoje o jornal conta com um auxílio da própria universidade, que custeia tanto a publicação quanto o transporte dos repórteres para a produção e distribuição do impresso. Além do Ferradura Mirim, também recebem os exemplares a prefeitura, câmara dos vereadores, rádios e jornais da cidade na tentativa de chamar a atenção para essa comunidade.

     Mais que evidenciar os problemas e deficiências do Ferradura Mirim, o estudante Gabriel Duarte diz que o jornal é uma forma de integrar os moradores e criar uma identidade maior para o grupo: “Nas reuniões percebemos que não é só pelos problemas que eles estão lá, mas porque é uma forma de identificação do bairro. Eles gostam de contar sobre as suas festas, o que fizeram de bom, e de se ver no jornal. É onde eles têm o seu espaço e vêm seus interesses e realidades sendo expostos”.

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