::..
"Fuga
de cérebros" é maior na América
Latina, diz estudo ..::
(25/06/2009)
- Fonte: www.folhaonline.com.br
– BBC Brasil
A América Latina e o Caribe compõem a região
com maior proporção de profissionais qualificados
vivendo no mundo desenvolvido --um fenômeno que
se acentuou nas duas últimas décadas, segundo
um relatório do Sistema Econômico Latino-americano
e do Caribe, com sede em Caracas.
De acordo com o estudo, o total
de latino-americanos qualificados que vivem nos países
da OCDE (Organização para Cooperação
e Desenvolvimento Econômico) passou de 1,92 milhão
em 1990 para 4,9 milhões em 2007 --uma alta de
155%.
Isso equivale a dizer que 11,3% da mão-de-obra
qualificada da região vivia em um país rico
em 2007.
No México, país que iniciou um tratado de
livre comércio com os Estados Unidos em 1994, esse
aumento foi de 270%. O segundo maior aumento percentual
foi registrado no Brasil: 242%. Mas, proporcionalmente,
as maiores taxas de emigração qualificada
da região são registradas nos países
pequenos.
O secretário permanente do Sela, José Rivera
Banuet, disse à BBC que, como 60% dos migrantes
que saem para os países ricos acabam trabalhando
em áreas diferentes de sua formação,
os conhecimentos desses indivíduos acabam perdidos
para os países de origem e desperdiçados
nos países de destino.
"Um dos desafios é o de encontrar um equilíbrio
entre as necessidades nacionais de reter os especialistas
em certas profissões ao mesmo tempo em que se desenvolve
a cooperação com os países de destino",
afirmou.
Números
Um dos países que mais influenciaram as estatísticas
latino-americanos foi o México. O número
de mexicanos qualificados nos países ricos era
de 366 mil em 1990 e passou para 1,36 milhão em
2007 --16,8% da força de trabalho qualificada.
Sem as estatísticas mexicanas, a taxa de imigração
de trabalhadores qualificados latino-americanos não
seria de 11,3%, e sim de 8,2%.Os percentuais para África
e a Ásia, outras regiões tradicionalmente
fornecedoras de imigrantes, são 10,2% e 5,9% respectivamente.
Já o número de brasileiros qualificados
trabalhando nos países da OCDE saltou de 63 mil
em 1990 para 218 mil em 2007. Mas a situação
brasileira preocupa menos os autores do estudo, porque
o total de pessoas qualificadas no Brasil ainda é
bastante grande.
Em 2007, estima-se que os brasileiros qualificados trabalhando
fora correspondiam a 2,3% da força de trabalho
qualificada total de 9,4 milhões.
O percentual é bem menor do que o de nações
caribenhas como Guiana (88,8%) --cuja dinâmica nesse
aspecto a aproxima mais dos vizinhos do Caribe do que
da América do Sul--, Haiti (84,9%) e Jamaica (84,4%),
entre outros.
"Um dos padrões característicos da
migração qualificada contemporânea
é a presença de taxas elevadas de emigração
em países pequenos ou com baixo nível de
diversificação produtiva", destaca
o relatório.
"Na América Central, a maioria dos países
tem entre um terço e um quarto de sua população
qualificada no exterior", afirma o estudo. "Os
países da região andina e os sul-americanos
são onde o fenômeno tem menor incidência.
Contudo, alguns países como Colômbia, Equador
e Uruguai têm taxas ao redor de 10%."
Fuga
de cérebros
O estudo alerta para o caráter irreversível
da chamada "fuga de cérebros" nos países
latino-americanos.
O levantamento aponta que, dos anos 1970 para cá,
houve uma mudança interessante no comportamento
dos países: vários países da região
deixaram de promover políticas de contenção
da fuga de cérebros, assumindo que a perda de mão-de-obra
qualificada é compensada pelo volume de remessas
recebidos do exterior.
No entanto, a diretora para a região andina da
OIM (Organização Internacional das Migrações),
Pilar Norza, disse à BBC que este "conforto"
não condiz necessariamente com a realidade.
Segundo Norza, embora não existam números
para comprovar isso, existe uma percepção
de que os imigrantes que mais enviam remessas não
são necessariamente os mais qualificados.
Para Banuet, do Sela, o fenômeno da fuga de cérebros
"não pode ser freado nem incentivado, porque
depende da decisão individual das pessoas".
Na opinião dele, encontrar o equilíbrio
nesta questão significa garantir que os países
que formaram os imigrantes qualificados também
obtenham benefícios do seu investimento, o que
poderia ser alcançado por meio de programas de
formação compartilhados e outros acordos
bilaterais e multilaterais.