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Arte
e Educação discutem pluralidade cultural
no Brasil ..::
(14/09/2009)
- Patrícia Bellini
O Brasil é um dos países com a mais complexa
formação cultural e social no mundo. As
divisões étnicas entre brancos, pardos,
negros, indígenas, entre outras, trazem o desafio
de promover o respeito entre as diversas culturas que
habitam esse território. Novas iniciativas estão
tentando enriquecer a identidade nacional através
do convívio entre essas diferenças, valorizando
as particularidades e diminuindo os preconceitos.
A sociedade sofre uma forte delimitação
do que é cultura. As manifestações
artísticas, como a poesia moderna, mostram uma
possibilidade de fuga dos moldes culturais. “A arte
propõe um espírito de oposição
à cultura vigente, possibilitando a vivência
da marginalidade”, diz o pesquisador da Universidade
Estadual de Campinas, Marcos Antônio Siscar, em
entrevista ao Toque da Ciência.
Segundo Marcos, “a poesia cria uma comunidade poética,
que reivindica a necessidade de pensar a diferença
e dramatiza a violência das exclusões em
um ambiente que, já por dois séculos, vem
dando mais importância à homogeneidade cultural.
Esse discurso da crise é uma resposta da poesia
à sua complexa situação na sociedade
dita burguesa”.
Assim como a poesia, outras formas de arte têm sido
usadas para manifestação de idéias
e imposição social. As pichações
do grafite, apesar de ainda sofrer preconceitos, ganhou
espaço nas universidades e reconhecimento enquanto
arte, apesar de ser marginal. As camadas sociais mais
excluídas criaram os estilos musicais Funk e Rap,
ambos retratando realidades sociais e hábitos culturais.
O Ministério da Educação e Cultura
(MEC) incluiu a pluralidade cultural nos Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCN), sistema de diretrizes que
sugere currículos para a educação
pública e privada. Segundo a Assessoria de Imprensa
da Secretaria de Educação Básica,
a tentativa é de autorizar e incentivar os estados
a valorizarem as particularidades culturais de cada região,
e promover o diálogo entre as diferenças.
Os Direitos Humanos, assim como a Lei de Diretrizes e
Bases, trazem cláusulas específicas tratando
do direito ao respeito e ao exercício de práticas
culturais das mais diversas etnias presentes no país.
Ainda assim, muitos crimes motivados pelos preconceitos
étnicos ainda são cometidos no Brasil todos
os dias. A tentativa do MEC é incentivar que os
cidadãos sejam educados, desde cedo, com noções
de direito e respeito em sociedade.